segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Monitoramento de bacias hidrograficas - Em estudo a sub-bacia do rio Catolé-MG.



Por Natalí Alencar
De São Paulo

Estudos Morfométricos, Monitoramento Hídrico e Levantamento de Impactos na Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Catolé, Bonito de Minas/MG é o título da dissertação de mestrado apresentada, em março, pelo pesquisador Wadson Almeida Miranda, no Instituto de Ciências Agrárias da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “A análise individual de cada microbacia possibilitou identificar comportamentos distintos entre elas. Esse resultado assinala a necessidade da realização de um manejo específico e diferenciado, algo que leve em consideração as tendências de cheias rápidas”, disse o pesquisador.
O principal recorte da pesquisa foi o estudo hídrico e ambiental, utilizando como instrumento o monitoramento quantitativo da sub-bacia para identificar a disponibilidade hídrica, o comportamento morfométrico da rede de drenagem e o levantamento dos impactos ambientais promovidos pelas ações antropogênicas no corpo hídrico.
Entre as microbacias que necessitam de um manejo urgente, Miranda chama atenção para a vereda Grumichá, que apresentou baixa disponibilidade hídrica devido às intervenções do homem. 
Com Ciência Ambiental – Como foi definido o tema do estudo?
Wadson Almeida Miranda - A intensificação do processo de uso e ocupação do solo gera a degradação do Cerrado e do subsistema de vereda, além da devastação de áreas do seu entorno, alterando completamente a paisagem. Esse processo ambiental carece de diagnósticos que contemplem as necessidades de se prevenir as alterações decorrentes de causas diretas e indiretas associadas às influências antrópicas. Assim, a sub-bacia hidrográfica do rio Catolé tem chamado a atenção de vários segmentos da sociedade local e regional, que atualmente inicia o processo de conscientização para o problema ambiental da área na qual a bacia está inserida - Parque Estadual do rio Pandeiros. 
CCA – Por que esse local?
Miranda - Porque ele tem sido afetado pelo processo erosivo acelerado, provocado pelo desmatamento para produção de carvão, pela exploração de terras situadas às margens dos cursos d’água das veredas e pela má conservação das estradas. As práticas de degradação da área expõem o solo à ação das chuvas, favorecendo a erosão e podendo provocar a morte de veredas. 
CCA – No que consiste o estudo? 
Miranda - A pesquisa consiste em um diagnóstico criterioso da sub-bacia hidrográfica do rio Catolé, sendo sua rede de drenagem composto por veredas, e propõe-se a apresentar resultados que indicam o seu comportamento hídrico e ambiental para compreender as potencialidades e as fragilidades da área. Isso pode resultar em uma proposta de ações efetivas para minimizar a problemática em questão. A pesquisa poderá subsidiar ações para um melhor planejamento da ocupação humana no ambiente, visando à sustentabilidade ambiental local. 
CCA – O que o motivou a pesquisar sobre esse tema? 
Miranda - A região norte de Minas carece de pesquisa, principalmente relacionadas às questões ambientais. A grande pressão antrópica no Cerrado tem causado sua devastação. O grande interesse do estudo é compreender as consequências dessas ações e assim poder auxiliar na fomentação de outras mais coerentes com a realidade local.
CCA – Qual  o objetivo principal do seu trabalho? 
Miranda – A pesquisa tem como meta analisar e caracterizar a morfometria da sub-bacia hidrográfica do rio Catolé e suas microbacias, além de monitorar as vazões em pontos estratégicos ao longo do rio principal e seus afluentes, visando a identificar os impactos decorrentes das ações antrópicas no uso e ocupação do solo. 
CCA – Qual foi a metodologia utilizada? 
Miranda - Foram utilizadas diversas metodologias para alcançar os resultados. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foram realizadas viagens a campo, bacia e sub-bacia para verificações in loco, monitoramento, registro fotográfico e marcações de pontos para observação.
Para os estudos dos processos e suas interações quantitativas empregamos as análises morfométricas por parâmetros de drenagem usando os seguintes parâmetros: densidade drenagem (Dd); densidade hidrográfica (Dh); coeficiente de manutenção (Cm); coeficiente de compacidade (Kc); índice de sinuosidade (Is); índice de circularidade (Ic); fator de forma (Kf); relação de relevo (Rr). Para medição de vazão recorremos ao método "área-velocidade", por meio de medições da seção transversal molhada e da velocidade média da água com molinete.
Os valores obtidos no monitoramento das vazões foram submetidos à análise de agrupamento, usando-se o software Fitopac. Empregamos técnicas hierárquicas para valores referentes aos valores mensais de vazão em m³/s. Os procedimentos utilizados para o desenvolvimento das análises ambientais seguiram as diretrizes definidas na Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986, da Política Nacional do Meio Ambiente. O estudo propôs uma metodologia de indicadores de impacto de veredas e para a confecção dos mapas utilizamos o SIG (Sistema de informação geográfica).
CCA – Quais dificuldades foram encontradas durante a realização do estudo? 
Miranda - A área de estudo, em decorrência da sua distância e das adversidades do local, como estradas, hospedagem, alimentação e transportes. 
  
CCA – Qual a principal contribuição do estudo?
Miranda - Há poucos estudos sobre veredas aqui na região. Quando você propõe usar certas metodologias, ficamos ansiosos, com medo de não chegar aos resultados esperados ou a ter de fazer tudo de novo. Assim, com objetivos claros e concretos, esperamos que a pesquisa ajude os órgãos gestores da APA [Área de Proteção Ambiental] e do município a darem uma atenção à questão sócio-ambiental. 
CCA – Quais conclusões podem ser destacadas? 
Miranda - Foram conclusões e recomendações específicas para a sub-bacia do rio Catolé, como a indicação de que 35% das vazões estão no canal principal e 65%  nos afluentes e que de dez microbacias monitoradas três estão propícias a enchentes e uma com alto grau de impacto. 
CCA – Gostaria de comentar algo que não foi mencionado acima e que é imprescindível à sua dissertação? 
Miranda - A proposta metodológica desenvolvida e aplicada na presente pesquisa apresentou-se eficaz, pois permitiu identificar as diferentes configurações da área de estudo, por meio da análise individual, obtendo um diagnóstico das características físicas e problemas ambientais de cada microbacia. 
MIRANDA, Wadson de Almeida. Estudos Morfométricos, Monitoramento Hídrico e Levantamento de Impactos na Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Catolé. Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Ciências Agrárias da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em março de 2011, para obtenção do título de mestre em Ciências Agrárias, sob a orientação do professor Flávio Pimenta de Figueiredo.
 
 
 
fonte: http://www.revistacca.com.br/2012/05/monitoramento-da-sub-bacia-do-rio.html
 
 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Preocupação com descarte correto de resíduos sólidos aumenta no Brasil


Municípios e empresas estão começando a entender a importância de investir em sustentabilidade.

O compromisso com o meio ambiente ainda é tímido por parte da população, como aponta o relatório de 2012 do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Os dados mostram que 2/3 da população não usavam o verso da folha de papel (65%) e não compravam produtos com material reciclável (71%). Pequenas atitudes, como fechar a torneira enquanto se escova os dentes, apagar lâmpadas em ambientes desocupados e desligar aparelhos eletrônicos, foram ignoradas pela maioria da população.

Vale: tratamento de resíduos no núcleo urbano de Carajás.

Já as empresas estão começando a correr atrás de resultados mais positivos. “Hoje, elas estão mais preocupadas com o impacto que suas atividades causam ao meio ambiente. A comunicação, como a elaboração de relatório de sustentabilidade, é uma ferramenta que confere mais transparência às práticas adotadas”, afirma Vinicius Cataldi, consultor desustentabilidade da Report Sustentabilidade, agência de comunicação voltada para a área.

Pioneira na produção de relatórios, a Natura, empresa de cosméticos, por sua vez, investe tanto nos produtos que vende quanto na cadeia de produção. Em associação com comunidades rurais espalhadas pelo País, a empresa promove o manejo sustentável dos ativos envolvidos na produção da linha Ekos. Para o consumidor final, estimula a compra de embalagens refis, que são feitas com o chamado Plástico Verde, 100% reciclável e que emite menos carbono na confecção do material se comparados com os demais. 

Outras práticas simples, como adotadas pela Braskem, por exemplo, também influenciam positivamente o mercado. Em parceria com Plásticos Suzuki, a empresa destinou as sobras da produção industrial para a confecção de bancos, lixeiras e floreiras, que já foram instalados em espaços públicos de cidades como Paulínia (SP) e Maceió (AL), e mantém programas de educação ambiental, manutenção de parques e de uma estação ambiental no entorno da empresa.

Estes são só alguns casos que ilustram algumas práticas que estão sendo adotadas recentemente pelas empresas. “O que é resíduo para mim, pode ser matéria-prima para outra pessoa”, afirma Mayura Okana, fundadora da B2Blue.com, plataforma online que negocia e comercializa os resíduos gerados pelas empresas e indústrias via B2B. “O óleo descartado pode ser usado para gerar energia em outra empresa; tecidos que sobram da indústria têxtil podem ser reutilizados como pano para limpar peças de empresas do setor automobilístico. Exemplos não faltam para mostrar como resíduo pode ser reutilizado facilmente”, garante.

Os governos municipais também estão começando a trabalhar nesse sentido e, segundo o relatório divulgado esse ano pelo Carbon Disclosure Project (CDP), organização internacional sem fins lucrativos que procura ajudar empresas e cidades a medirem e gerenciar as informações sobre o meio ambiente, a participação dos municípios brasileiros no relato de ações sustentáveis cresceu mais de 265%.

Em Londrina, por exemplo, a cidade lançou em 2011 o projeto “Cesta Verde”, programa em que a população troca o lixo reciclável por alimentos orgânicos. Em São Paulo, a rede Nossa São Paulo promove ações para estimular o desenvolvimento sustentável e criou o Projeto Cidades Sustentáveis, a fim de mobilizar os pré-candidatos à prefeitura adotarem medidas de desenvolvimento sustentável e, após a eleição, prestar contas com base nos indicadores de resultados.

É preciso que população, empresas e governos municipais atentem às medidas sustentáveis, pois o prazo para expirar a data limite de execução do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê entre as medidas o fechamento de lixões até 2014, dando lugar à construção de aterros controlados ou aterros sanitários, está acabando e ainda há um longo caminho a seguir.

A lei aprovada em 2010 que desenvolveu o plano, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), foi pensada e organizada de forma a contribuir para o crescimento sustentável e o incentivo à reciclagem. Ainda de acordo com a lei, municípios que não se adequarem às normas, serão enquadrados como crimes ambientais.

Fonte:
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